Pequenas usinas impulsionam o crescimento hidrelétrico no Brasil
As PCHs vão responder por 983 MW dos 1.207 MW de expansão hidrelétrica prevista até 2031 — e cada 1 GW viabilizado movimenta cerca de R$ 10 bilhões. O que isso abre para quem opera usina.
Quando se fala em hidrelétrica no Brasil, a imagem que vem à cabeça é Itaipu ou Belo Monte. Mas a expansão hidrelétrica dos próximos anos não vem das grandes: vem das pequenas.
Quem é quem
A classificação é por potência instalada:
- CGH — Central Geradora Hidrelétrica: abaixo de 5 MW
- PCH — Pequena Central Hidrelétrica: entre 5 MW e 30 MW, com reservatório de até 13 km²
- UHE — Usina Hidrelétrica: acima de 30 MW
Hoje o parque instalado está assim: 103 GW em UHEs, 6 GW em PCHs e 916 MW em CGHs.
A virada na expansão
A ANEEL projeta uma adição de cerca de 1.207 MW em potência hidrelétrica entre 2026 e 2031. A divisão é o dado interessante:
| Tipo | Adição prevista |
|---|---|
| PCHs | 983 MW |
| UHEs | 220 MW |
| CGHs | 4 MW |
Ou seja: mais de 80% da nova potência hidrelétrica virá de pequenas centrais. Grandes barragens enfrentam entraves ambientais e sociais que projetos menores, a fio d’água, contornam com muito mais facilidade.
Onde estão os projetos
A concentração é clara no Sul:
- Sul — 519 MW
- Centro-Oeste — 241 MW
- Sudeste — 111 MW
- Norte — 94 MW
- Nordeste — 17 MW
Entre as usinas já programadas estão São Paulo do Pimenta Bueno (30 MW, em Rondônia), Taboca (29,8 MW, em Goiás) e Espraiado (29 MW, em Santa Catarina).
O dinheiro e a lei
A ABRAPCH projeta mais de 1 GW de nova capacidade nos próximos cinco anos, e estima que cada 1 GW viabilizado movimente algo em torno de R$ 10 bilhões em investimentos.
O leilão A-5 de 2025 já deu o tom: 65 projetos contratados, 816 MW de capacidade combinada e cerca de R$ 6 bilhões atraídos.
Há ainda um empurrão legal. A Lei 15.269 prevê a contratação de 4,9 GW em PCHs por meio de leilões — 3 GW nos próximos anos e 1,9 GW depois de 2032.
O que isso significa para a carreira
Uma PCH precisa ser operada e mantida como qualquer usina: turbina, gerador, regulador de velocidade, sistema de proteção, subestação elevatória. A diferença é a escala da equipe — times menores, em que cada profissional cobre mais funções.
Na prática, é um mercado que valoriza quem tem visão completa da usina, e não apenas de um sistema isolado. E são usinas espalhadas pelo interior, longe dos grandes centros, onde a concorrência por vaga costuma ser bem menor.
Fonte: ABRAPCH
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